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Deu para perceber que a onda de choque que está acontecendo no mundo dos videogames desde a última segunda-feira, certo (se não, dê uma passadinha no GameTV)? Não dá para falar que Super Street Fighter IV não pegou muita gente de calças curtas. Quando os primeiro boatos que SSFIV estava em produção, muito pensaram que se tratava de um conteúdo extra, um DLC. Só que para a tristeza de muitos não é, e isso também não seria uma idéia tão estapafúrdia assim – a Capcom compete cabeça a cabeça com a SNK Playmore na reutilização de seus games de luta.
A história foi assim já no consagrado Street Fighter II. Naquela época a Capcom fez os seus oito lutadores viajarem pelo mundo todo antes de enfrentar os quatro vilões da Shadaloo. O sucesso do game na época não foi o suficiente para calar o clamor dos jogadores que queriam controlar Balrog, Veja, Sagat e M. Bison. Um ano depois veio o Street Fighter II: Champion Edition que permitia isso. Meses depois veio outra versão a Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting e depois veio a Super Street Fighter II e um ano depois outro jogo que agora tinha o “mestre” Akuma.
Sério. Dá para falar que não era previsível ver pelo menos uma nova versão de SFIV “só um ano depois”? Mas então porque estão todos reclamando que a Capcom está sendo “mercenária” como andam falando no Twitter e em fórums espalhados pela internet? A Capcom sempre foi mercenária, quer dizer, mercenária não, sempre foi uma empresa que visa lucros. E o que dá mais lucro do que relançar o jogo que todos estão jogando no momento? Porque deixar outros títulos tirem o foco da sua franquia? Vendo pelo lado da grana – e é isso o que importa – a Capcom está certíssima.
Mas e o lado do consumidor? Antigamente gastávamos fichas de fliperama nas máquinas, então era mais barato, certo? Naquela época do SFII também existiam locadoras de videogames aos montes espalhadas nas capitais brasileiras e até em algumas cidades do interior – e alugar games também era barato. Hoje em dia os fliperamas estão em locais obscuros dos grandes centros urbanos e locadoras de games não conseguem vencer a pirataria para se manter vivas. Por isso compramos os jogos com mais freqüência e sentimos no bolso quando um jogo “acaba” de ser lançado e vemos uma nova versão dele, mais completa e mais legal. Não é?
É o que os donos de Fallout 3 e LittleBigPlanet sentiram quando suas versões de “Game of the Year” foram anunciadas e que piora a situação, pois são acompanhadas com conteúdos extras que os caras que foram afoitos e compraram o game na época de lançamento tiveram que desembolsar para tê-los. Ou seja, não basta o game vir mais completo, ele vem acompanhado com todos os DLCs que foram vendidos anteriormente – sacanagem, pô!
A ficha está caindo para nós jogadores. Claro que é muito mais legal pegar o game que estamos esperando ansiosamente logo no dia do lançamento. Só que temos que estar preparados no futuro, pois sabemos que uma versão mais completa e com mais coisas será lançada depois – e não tem chororô, você vai querer jogar, vai querer ver com os próprios olhos o quão legal é aquele cenário novo ou aquele lutador novo.
Rodrigo Guerra