mar

31

por Daniel Mello

Limbo of the Lost, lançado em 2007, para PC é um game no gênero “point-and-click” (estilo Monkey Island) que ficou famoso por copiar descaradamente alguns cenários de vários jogos, entre eles Elder Scrolls: Oblivion, Unreal Tournament 2004 e Painkiller, além de diálogos dos filmes Spawn e Piratas do Caribe. As fotos estão aí desde que o jogo saiu e ninguém tem dúvida de que foi plágio. Mesmo descontando este fator, o jogo é um dos piores já feitos desde o E.T. de Atari 2600.

A trama gira em torno dos mistérios do Triângulo das Bermudas e parece ter sido tirada de um livro de mesmo nome da década de 70. De qualquer forma, maior atrativo não é o jogo ser péssimo e nem o fato dele ter plagiado descaradamente outros games, mas sim o final, que é épico de verdade e merece ser assistido em sua integridade, mesmo sem fazer sentido algum:

Imagem de Amostra do You Tube

Se a curiosidade for muito grande, tente ver 10 (longos) minutos de jogatina:

Imagem de Amostra do You Tube

E aí, alguém lembra de um game (ou final de game) tão ruim/engraçado quanto este?

mar

22

por Fernando Mucioli

E aí que God of War III, aquele jogo do grego revoltado, finalmente chegou às lojas. Aqui do Brasil, inclusive. Não acredita? Eu também não acreditava, até passar na loja oficial da Sony, aqui no Shopping Bourbon, em São Paulo, e ver essa fila:

Isso é parte do pessoal que, na última sexta feira, ficou de tocaia na porta da Sony Style para esperar o retorno de Kratos – que, diziam, apareceria por ali à meia noite. Essa foto foi tirada às nova e meia, mais ou menos. Mas os primeiros colocados, Vinícius e Cleisson, estavam ali desde as dez pras oito.

Enquanto a hora não chegava, deu para ver um pouco da decoração da loja (que, por sinal, estava bem bacana) para o evento:

O tempo passou e a fila cresceu, rapidinho, rapidinho. No fim da noite havia, pelas minhas contas imprecisas, tranquilamente mais de cem pessoas. Os vinte primeiros ganharam a máscara que você viu na imagem acima, e os duzentos primeiros ganhariam uma camiseta promocional que o pessoal da organização estava usando. Coisa fina, de verdade.

Um leve (se hambúrguer com queijo e bacon pode ser chamado assim) jantar depois, eu e vários colegas começamos a nos preparar para a tão esperada meia noite – quando os jogos começariam a ser liberados ao público e, em tese, o próprio Deus da Guerra daria o ar da graça. E foi o que aconteceu.

Apesar do guereiro espartano se apresentar mais monossilábico (ou monotônico) do que eu me lembrava nos jogos, a performance levou crianças, marmanjos, senhores, senhoras e jornalistas à loucura. Alguém levantou o fato de que quem estava levantando a porta metálica da loja era o Kratos do primeiro God of War – dada a falta da cicatriz na barriga e do Velo de Ouro – mas logo ignoramos esse fato para ver que os primeiros felizardos já estavam entrando na loja para colocar as mãos no jogo:

Demorou um bocado até que todos pudessem voltar felizes para casa e passar a madrugada jogando. Até uma e meia da manhã, mais ou menos, ainda havia fila.

Resumo da história? A Sony brasileira está de parabéns. Mesmo oferecendo seus produtos oficiais com preços mais salgados que os praticados pela Microsoft e não oferecendo o PlayStation 3 (para quem, num surto de loucura, quisesse comprar jogo e console juntos), o evento foi digno dos lançamentos no exterior.

A (pequena) parte dedicada à família de videogames estava bem decorada, assim como as vitrines, e a grande quantidade de pessoas ajudou para deixar o evento ainda mais bacana. Espero que não só a Sony continue a dar esse tratamento VIP a lançamentos futuros, mas também que a concorrência acorde e mexa um pouco às coisas nesse nosso tão surrado mercado nacional.

Abraços e até a próxima!

Créditos da última foto: Gustavo Lanzetta

mar

17

por Fernando Mucioli

Caramba, há quanto tempo! Estive ausente pelas últimas semanas, como vocês puderam (não) ver, mas foi por uma boa causa. Tivemos aí algumas análises e matérias bacanas, além do glorioso e esperado retorno do nosso fórum!. Já se cadastrou? Aproveita e vai lá!

Mas como a correria ainda não acabou, hoje o post é para falar de uma série que tem tomado o meu tempo livre já há algum tempo. É a série de jogos de nave Touhou:

Imagem de Amostra do You Tube

Já são dezenas de jogos – todos independentes e feitos por uma única pessoa, o multitalento ZUN – incluindo episódios feitos pelos fãs. É uma franquia imperdível para qualquer fã de games de nave que queira testar de verdade as suas habilidades. O interessante é que cada jogo tem um toque único na jogabilidade. A versão “9.5″, intitulada Shoot the Bullet, tem a fotografia como mecânica principal. Em vez de atirar no adversário, você precisa tirar boas fotos dele para avançar. Confira o vídeo abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

A mesma série ainda inspira jogos de luta, plataforma, futebol… as possibilidades são imensas. Vale a pena pesquisar, jogar e, principalmente, prestar atenção na trilha sonora espetacular.

E por hoje é isso. Abraços e até a próxima!

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mar

16

Para aqueles um pouco mais idosos, assim como eu, que tiveram a oportunidade de vivenciar a melhor época dos jogos de luta, regozigem! Super Street Fighter IV e BlazBlue: Continuum Shift estão chegando. E ali, correndo pela linha lateral, The King of Fighters XIII – que só terá detalhes revelados a semana que vem. Teremos mais um ano cheio de novidades, não é?

E é isso que, invariavelmente, me faz retornar àquela velha pergunta: Voltaremos à Era de Ouro dos jogos de luta? A resposta é clara, e só não vê quem não quer.

No passado, vivíamos um tempo em que videogames não eram tão poderosos e os fliperamas de shopping lotavam nos fins de semana, com viciados em games de todos os gêneros. Da ação side scroller aos clássicos jogos de luta, derrapando nas pistas dos simuladores ou mesmo atirando em bandidos. E tinha de tudo. Sega, Midway, Capcom, SNK, Atari, Bandai (apesar de não exister praticamente nada da empresa por aqui) e por aí vai. E eram jogos belíssimos, impossíveis de serem reproduzidos em consoles caseiros (a SNK bem que tentou com seus ports até que divertidos de Art of Fighting 2 e Fatal Fury 2 Special para SNES), mas não eram a mesma coisa.

Uma cultura particular nascia ali, com pessoas fazendo amizade, conhecendo as regras de cada local, “indo em busca do mais forte”, como diria o locutor do desenho do Street Fighter. Não era permitido, por exemplo, você fazer a limpa nas fichas de todas as pessoas do local e, assim que perdesse uma vez, desistisse de continuar a jogar. Isso gerava uma encrenca sem tamanho, um prato cheio para a mídia explorativa que gosta de criticar enfadonhamente os jogos de videogame. Mas não era assim. Naquela época, os fliperamas já não eram vistos com bons olhos, mas por outros motivos (que eu não vou citar), e nem por isso, isso que falavam desses locais eram 100% verdadeiras.

De volta ao assunto, essa convivência entre jogadores criava um respeito mútuo, ensinava a garotada a respeitar os outros e a sempre desafiarem seus limites (poético, né?). Afinal, era o troco do ônibus o único dinheiro que você tinha e era preciso fazê-lo render com, pelo menos, meia hora de jogatina. Até alguém precisar de sua ajuda para garantir uma ficha ou algo parecido. E por mais que os jogos de luta retornem, não é assim, com jogos caseiros e partidas online que voltaremos às origens de tudo.

A internet com seu fetiche pelo anonimato, elimina qualquer chance de um respeito mútuo. A menos que sejam conhecidos, ou apresentados por conhecidos, não espere mais que uma partida vazia e sem os méritos devidos ao vencedor. Rankings? Pff, podem ser forjados facilmente. Sem o tet-à-tet o jogo de luta perde um pouco a graça. Um headset até ajuda, mas quando você conhece a pessoa lá do outro lado. Senão, é apenas mais uma ferramenta para ouvir xingamentos de pré-adolescentes que não costumam exercitar esse tipo de vocabulário em outro ambiente, se é que você me entende.

O fato dos games de luta fazerem tanto sucesso nos anos 90, derivava de uma porção de fatores, incluindo os sociais e culturais, que hoje em dia foram menosprezados pela “facilidade” de se jogar online. Menosprezados não, mas é uma outra cultura, uma outra forma de ver as coisas, repletas de ‘teabagging’, clãs e servidores dedicados. Não que seja ruim, afinal, toda evolução é bem vinda. Mas é diferente.

O Brasil ficou para trás nessa disputa. Perdemos praticamente todos os nossos fliperamas de rua, os de shoppings estão mais capengas que nunca – e quando investem, só querem saber dos simuladores -, e a grande maioria cresceu e deixou de se interessar pelo hobby. A comunidade de amantes dos jogos de luta nos EUA também diminuiu bastante, com picos de jogadores casuais causados pelo furor da nostalgia de jogos como SFIV, mas ainda possui empresas como a Capcom, que investem em seus lançamentos e ainda promovem campeonatos e incentivam o jogador a tentar ser o melhor. Reza a lenda que a Europa é tem jogadores bons e que cultivam a tradição das partidas em fliperamas de rua, mas não posso confirmar isso.

O Japão ainda continua forte, apesar de constantes reclamações de que o gênero perdeu um pouco seu espaço por lá. Ainda sim, encontramos game houses dedicadas à esses jogos de luta, com gabinetes soberbos, controles precisos e jogadores muito bons. Os melhores do mundo estão lá. O maior campeonato do mundo está lá (o Tougeki, mas depois falo dele) e o hype mundial em desafiar seus campeões não vai desaparecer nunca.

Vem aí uma nova onda de jogos de luta, mas não teremos aqueles ‘good ol’ times’ dos anos 90. O que eu gostaria mesmo de saber é o que fazem os officeboys de hoje, já que os fliperamas estão sumindo. Jogam Damas com os velhinhos na praça?

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