fev

23

Primeiramente, assumo meu caráter “achievement/trophy whore” com um certo orgulho até. Mas nem sempre fui assim.

Antes de migrar para os “consoles de última geração” (muito Super Game Power esse termo, né?), o colega @Guerra colaborativamente me emprestava o seu X360. E eu jogava sem pensar em pormenores como “você não vai criar sua conta? E os seus achievements?”, deixava tudo registrado na conta do ‘broder’, que também não se importava – ele já era um ‘AW’.

Eis que os meses passaram, e finalmente consegui o meu PS3. Aí o inferno começou. Fiz minha conta na PSN e peguei meu primeiro jogo. Nem lembro qual era, sei que tinha troféu. E era divertido quando uma mensagem pipocava no canto direto da tela, indicando que eu tinha cumprido certos objetivos e conquistado meu primeiro Bronze Trophy. Dali em diante, fui subvertido à nova ordem das disputas secretas por troféus.

Não vejo mais com os mesmos olhos um jogo que não carregue em seu cerne, um mísero troféu. O que importa agora é terminar o jogo e cumprir todos os desafios criados pela equipe de programadores do game em busca de um score perfeito. “Zerar” um título ganhou um novo signifcado. Ou você “mila” ou “platina”. Não existe meio termo.

E a pontuação de cada jogador tornou-se um fator crucial para descobrir quem é hardcore e quem não é. Colocar seu nome no topo não é uma tarefa fácil. É preciso muita habilidade – pra não falar da falta do que fazer – para manter-se como o “melhor jogador” do console. Claro, entre aspas, porque existem meios de facilitar essa vida em busca do jogo perfeito. Avatar (não o do James Cameron), Terminator 3, Hanna Montanna e tantos outros games de uma lista só de porcarias, são extremamente fáceis de se alcançar os mil pontos. E a galera usa e abusa dessas artimanhas, sem o menor pudor, tudo para ser o número um.

Imagem de Amostra do You Tube

Aí, a Armor Games, especialista em jogos em flash, resolveu brincar com essa mania por condecorações e criou o Achievement Unlock, jogo que o objetivo principal é conquistar todos os achievements listados na tela. Bobinho e sensacional ao mesmo tempo.

fev

22

por Fernando Mucioli

Cá estou eu, de cara com o último caso de Miles Edgeworth: Ace Attorney Investigations. A algumas poucas horas do fim, e também de escrever a análise essa semana para ir ao ar no GameTV. Acho que não preciso nem dizer, mas o jogo é incrível.

Daí eu me lembro de duas coisas. A primeira é de como eu gosto dessa série, que não tem absolutamente nada a ver com o perfil da Capcom – que, é, não por acaso, uma das minhas empresas favoritas nessa indústria vital. Um jogo pra pensar, pra ler, pra se divertir com a qualidade do roteiro, e pra abrir um sorriso no rosto depois de esfregar a prova definitiva na cara daquela testemunha cínica… e que vem do mesmo lugar de onde sai a violência milimetrada de Street Fighters e os sustos canastrões de Resident Evil.

Minha história com Gyakuten Saiban vai longe. Joguei os três primeiros jogos em japonês no Game Boy Advance e desde então criei um certo vínculo com os personagens – alguns dos poucos realmente simpáticos (no sentido de serem críveis o suficiente para que você crie alguma simpatia) que existem por aí. Se você gosta de jogos de aventura com bons quebra cabeças e histórias bem boladas, recomendo fortemente.

A segunda coisa que o promotor de terno cor-de-vinho me lembrou é de uma velha discussão que já assombrou a minha, a sua, todas as suas mentes de jogadores: joguinho precisa de história? O que é mais importante? Roteiro ou jogabilidade? Qual a dose boa das duas coisas? E daí eu não consegui deixar de pensar em Heavy Rain, aquele que eu chamei outro dia de algo como “a evolução dos adventures”. Dois jogos que são quase a mesma coisa. Quase..

O exclusivo do PlayStation 3 não faz questão nenhuma de esconder que pesa mais para um lado do que para o outro – o da história, em detrimento de uma experiência de jogo mais dinâmica e divertida. Isso é, aliás, o argumento principal dos seus defensores: eles estão jogando pela história. As variações da história e das cenas são impressionantes, mas o jogo se resume, pelo que a demo deixa a entender, que é tudo uma mistura de “aperte tal botão no susto” e “bata a cabeça até encontrar a alternativa certa”. Pode até ser plausível. Pra mim, nem tanto.

Pensando sobre o assunto antes, cheguei à conclusão que, por mais que eu goste, ria e me emocione com histórias boas, ainda prefiro algo que seja bom como jogo do que como livro. Cheguei nessa conclusão depois da minha experiência pessoal com Castlevania – uma daquelas séries que eu amo. Já tentou encarar um Curse of Darkness? Aquele jogo que é a sequência de Castlevania III, também conhecido como uma das maiores bolas dentro da história da Konami? Tente. Tente, rapidinho, e volte aqui para me dizer.

Ele é intragável. Por mais que eu quisesse ver Trevor Belmont em toda a sua glória 3D e descobrir o que ele tinha ver com a briga de dois servos do Conde Drácula, a mistura de cenários repetitivos, música ruim e lutas monótonas implorava para que eu arrancasse o disco do meu PlayStation 2, colocasse fogo em tudo e nunca olhasse para trás. Ele é ruim assim.

Por outro lado, o próprio Castlevania III tinha um mínimo de história e é, sem dúvida, um dos games de plataforma mais memoráveis da gloriosa e quadrada era 8-bits.

Ace Attorney Investigations, por outro lado, não sofre de nenhum desses problemas. Nenhum dos jogos da série, aliás, mesmo com seus altos e baixos. Os advogados e promotores atuam num equilíbrio quase perfeito entre narrativa e jogabilidade – e deixam um transbordar para o mundo do outro. Digam o que quiserem de Apollo Justice, o controverso quarto episódio da série, mas prestar atenção nos trejeitos das testemunhas para descobrir quando elas estão mentindo foi, assim, daqui, ó.

É claro, Heavy Rain também faz isso. Mas o assunto aqui é equilíbrio. E os doutores da lei são muito mais ponderados que os assassinos seriais. O que vocês acham disso? Vale a pena sacrificar um pelo outro? Comentem, comentem.

Abraços, e até mais!

fev

17

Jogos de viodeogame vão ser avaliados como desfiles de escola de samba?

Por Rodrigo Guerra

Agora que o carnaval passou e já sabemos quais são as escolas de samba vencedoras, venho aqui lembrar de um assunto que sempre discuti com meus caros amigos de redação: você já reparou que os jogos de videogame são tratados como escola de samba? É verdade. Pense bem. Hoje em dia, a nota média não é mais o 5 – que é a METADE entre zero e 10. Há algum tempo a nota média dos games tem sido 8 ou 9.

Não é difícil encontrar análises dizendo “Tal jogo não é bom nem ruim”, ou seja, é médio, certo? Se não é bom, nem ruim, ele é médio, creio eu. Mas porque diabos jogos que não são bons nem ruins recebem notas como 7 ou 8? Não vou sair apontando o dedo na cara de alguns veículos, por que isso está acontecendo desde outros carnavais.

Faz anos que venho discutindo sobre este ponto com pessoas de certo peso no ramo editorial, mas parece que não tem como remediar o vício de dar nota alta – assim como como acontece na apurações dos votos dos jurados dos desfiles das escolas de samba. Talvez seja porque a nota média nas universidades seja 8, ou talvez porque 5 parece ser uma nota “muito baixa” ou porque tal site gringo deu uma nota mais alta. Entende o que eu digo? Está é faltando critério.

Um dos casos mais bizarros é o do Sonic The Hedgehog (2006), tido como um dos piores jogos da nova geração. Dê uma olhada nos sites como o Metacritics ou GameRankings e você verá notas como 8.5. Ei! Esse não era um dos piores jogos dessa geração?

O lance das notas estava meio desestruturado no site 1UP, tanto que os caras mudaram o sistema de pontuação dos jogos. O que era numeral passou a ser classificado por letras que vão do A+ ao F, o que, na época causou um certo rebuliço nos blogs especializados.

Em 2006 foi criado o Metafuture, um site para avaliar as notas que os sites davam para os games – e o resultado mostra a inflação das notas 8 e 9. é triste ver que esta ferramenta foi descontinuada.

Isso tudo foi só para lembrar: jogos de videogame não são escolas de samba. Não dá para eleger quais são os melhores jogos por facões decimais em categorias chave. Também é importante lembrar que a internet é a melhor ferramenta para o gamer, pois ela dá acesso a várias informações e pontos de vista. O que pode ter sido esquecido em uma análise, pode ter sido o foco em outra. Utilize essa ferramenta, não confie em reviews de apenas um site. Leia vários e depois disso forme sua opinião.

fev

11

Como vocês viram aqui no blog, Sonic 4 é tanto motivo de comemoração por parte dos fãs que ainda têm esperanças de ver um bom jogo do mascote da Sega, quanto de dúvidas, afinal de contas, não sabemos quase nada do que vem por aí e o futuro é duvidoso (principalmente se baseado nos jogos mais recentes do azulzinho).

Mas junto com a boa notícia, veio a tona uma curiosidade: Durante muito tempo, alguns jogadores pensavam que Sonic 4 já estava entre nós.

O Sonic 4 que muitos jogaram no Super Nes obviamente não é um produto original. O jogo que fez um sucesso considerável, era vendido em mercado negro por ser um hack, ou como estamos mais acostumados a falar, um jogo pirata.

A responsável pelo jogo é uma empresa peruana chamada Twin Eagle Group, que lançou a sua versão de Sonic 4 em 1996. O hack foi feito em cima de um jogo do personagem de desenho Ligeirinho, Speedy Gonzales: Los Gatos Bandidos, que já mostrava bastante semelhança com as características do Sonic (afinal, os dois são bichinhos que correm pra caramba).

No jogo original, Ligeirinho precisa resgatar seus amiguinhos ratos que foram capturados por gatos e estão presos em gaiolas espalhadas pela fase. Já na hora de adaptar isso para o jogo do Sonic, os ratinhos foram substituídos por Marios Bros.

Imagem de Amostra do You Tube

Esperamos que, pelo menos, a trilha sonora não seja tão bizarra quanto a do Sonic 4 falso.

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